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Hospital de São João implanta dispositivo inovador em doentes com Parkinson

21/01/2020

O Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) implantou hoje, 21 de janeiro, um dispositivo médico «inovador» que, ao registar informação sobre dados cerebrais de doentes com Parkinson, «abre a possibilidade de o tratamento ser mais adaptado» ao estado clínico do doente.

«A ideia base é ver se somos capazes de evoluir do tratamento da doença para o tratamento do doente», afirmou Rui Vaz, Diretor do Serviço de Neurocirurgia do CHUSJ e responsável pela equipa que fez, esta manhã, o implante do dispositivo médico «inovador».

Em entrevista à Lusa, o neurocirurgião avançou que este dispositivo, intitulado ‘BrainSense’, além de ser capaz de «estimular o cérebro, permite também captar informação sobre as ondas cerebrais [ondas beta] que estão relacionadas com os sintomas de Parkinson».

«O tratamento atual é praticamente constante ao longo de todo o dia, quando a doença em si, oscila ao longo do dia. Portanto, este será o primeiro passo para, através dos registos obtidos, adaptarmos o tratamento ao estado clínico do doente durante o dia, com menos tratamento nas fases em que se encontra bem e mais tratamento nas fases em que se encontra mal», explicou.

Segundo Rui Vaz, o estimulador, que foi implantado esta manhã numa mulher com Parkinson, «não difere em nada para o doente», sendo que é até «mais pequeno» do que o dispositivo usualmente utilizado.

«O tamanho da bateria é ligeiramente menor, mas para o doente é tudo igual», garantiu, adiantando, contudo, que a tecnologia é «15% mais cara do que a bateria normal».

«O dispositivo custa 15% mais do que a bateria normal, mas esperamos nós que estes 15% sejam compensados, uma vez que, ao adaptar-se à doença, a bateria dura também mais tempo», sublinhou.

À Lusa, o neurocirurgião adiantou que, neste momento, o neuro estimulador é apenas aplicável a doentes parkinsonianos com síndrome acinética-rígido, isto é, com os movimentos limitados.

«Vamos, prudentemente, ver os resultados que conseguimos. Há uma base científica suficientemente forte, mas a experiência clínica séria está agora a iniciar-se e, enquanto não houver mais evidência sobre as formas tremóricas [síndrome do Parkinson], não o colocaremos», concluiu.

O Centro Hospitalar Universitário de São João foi o terceiro hospital, a nível mundial, a implantar este dispositivo médico, sendo que, até ao momento, apenas dois hospitais alemães também o fizeram.

Fonte: Lusa

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