Questões Frequentes Sobre o Autismo

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Autismo. Este dia foi criado pela Organização das Nações Unidas, em 18 de Dezembro de 2007, com o intuito de alertar as sociedades e governantes sobre esta doença que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo.

Associando-se ao esforço global para aumentar a consciencialização sobre o Autismo, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge dá hoje destaque a este tema, respondendo a um conjunto de questões sobre o tema. O Instituto tem também em curso uma linha de investigação sobre as bases biológicas do autismo. Este trabalho desenvolve-se com parceiros nacionais e internacionais, e incide sobre áreas diversas, incluindo a epidemiologia, os biomarcadores, a genómica ou a medicina personalizada, numa abordagem integradora doe conhecimento. Tem como objetivo compreender quais as alterações fisiológicas que conduzem ao aparecimento do autismo e à variabilidade na sua apresentação clínica, progressão e resposta a intervenção. Ultimamente pretende contribuir para o desenvolvimento de métodos de diagnóstico precoce mais fiáveis e sensíveis e de novas terapêuticas mais eficazes e à medida de cada individuo com autismo. 

Autismo: sabe o que é?
De acordo com os manuais médicos, o autismo, ou a Perturbação do Espetro do Autismo (PEA), é uma condição médica do sistema nervoso central que surge na infância e que se carateriza por dificuldades na comunicação e interação social e por comportamentos, interesses ou atividades repetitivas e estereotipadas.

Pessoas com autismo têm dificuldades de comunicação e de interação com os outros. Por exemplo, fazem comentários pouco adequados, interpretam literalmente as conversas, ou seja, não percebem trocadilhos ou ironia, têm dificuldade em interpretar a comunicação sem palavras e a linguagem corporal, e não fazem amizades facilmente. Além disso, são pessoas muito dependentes de rotinas, muito sensíveis a mudanças no seu dia-a-dia ou, por vezes muito preocupadas com certos objetos, ideias ou temas.

Com o autismo podem também aparecer outros problemas como a deficiência intelectual, a hiperatividade, a epilepsia, a ansiedade ou as perturbações do sono, que trazem dificuldades acrescidas. As pessoas com autismo podem também fazer coisas excecionais: por exemplo, por vezes fazem cálculos matemáticos extraordinários, ou pintam muito bem, ou desenham mapas de cor, ou tocam um instrumento de música maravilhosamente.

Os comportamentos diferentes das pessoas com autismo surgem com vários graus de gravidade, existindo pessoas que apresentam sintomas leves e outras com sintomas mais graves. Porque esta condição se apresenta de forma tão variada, como um contínuo de problemas de comportamento, é usado o termo espetro do autismo.

O autismo é muito frequente?
A Perturbação do Espetro do Autismo abrange um grande número de crianças com problemas de desenvolvimento e comportamento de maior ou menor gravidade. Em Portugal, um rastreio nacional mostrou que mais de uma em cada mil crianças tem uma forma grave de autismo. A nível mundial foram feitos estudos em muitos países, incluindo países da Europa (por exemplo os países nórdicos, o Reino Unido, a Alemanha, a Irlanda), os Estados Unidos da América, a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e outros, que mostraram que a perturbação do espetro do autismo é muito comum em todo o mundo.

Os estudos realizados nos últimos anos têm encontrado um aumento no número de casos de autismo, o que possivelmente reflete uma maior consciência da existência desta doença nos dias de hoje.
O autismo é 4 a 5 vezes mais frequente nos rapazes do que nas raparigas, mas a razão por que isto acontece não é conhecida.

Porque é que aparece o autismo?
O autismo surge quando há alterações biológicas no funcionamento do cérebro. Estas alterações são ainda mal conhecidas, mas sabe-se que resultam, em grande parte, de problemas genéticos. Os genes são como um livro de instruções para o funcionamento dos sistemas e órgãos que constituem o nosso corpo. O cérebro, tal como os outros órgãos, é composto por tecidos, por sua vez constituídos por células. Os genes existem dentro das células, e organizam-se em estruturas chamadas cromossomas.

Nos genes, as instruções para o funcionamento das células estão escritas num código molecular chamado DNA. Por vezes, este código contém erros num ou em mais genes, os quais podem levar ao mau funcionamento das células. Isto também pode acontecer se as células tiverem cromossomas a mais ou a menos, duplicando ou apagando instruções no DNA. Quando o DNA nos genes que regulam o funcionamento do cérebro tem erros, surgem doenças cujos sintomas são problemas de comportamento.
Uma dessas doenças é o autismo. Outras são o síndrome de Down, a doença de Parkinson, a doença de Alzheimer e muitas outras. Muitas formas de deficiência intelectual são também devidas a alterações nos genes.

O autismo é sempre causado por alterações nos genes?
Os estudos mais recentes indicam que os genes são uma parte do problema, mas não explicam todas as situações, nem são sempre o único problema. Os fatores do ambiente podem também influenciar o efeito dos genes.  O funcionamento correto do nosso cérebro depende de muitos fatores, e deverá ser a sua combinação que leva ao aparecimento da doença.

Genes do autismo, quais são?
Não foi encontrada até hoje nenhuma alteração genética responsável por todos os casos de autismo. Na realidade, parecem existir muitas alterações em genes diferentes que podem levar ao aparecimento desta doença.

Os investigadores procuram agora saber quais são os processos biológicos do cérebro que são perturbados por alterações genéticas, de forma a conseguir encontrar tratamentos que possam repor o seu normal funcionamento. Um exemplo são os processos de transmissão de sinais nervosos entre células do cérebro (transmissão sináptica) que se sabe estarem alterados. Outros poderão ser processos associados ao desenvolvimento do cérebro durante os primeiros tempos de vida.

Não existe um único gene para o autismo, mas muitas alterações genéticas que, independentes ou em conjunto, podem levar às alterações do funcionamento do cérebro e aos sintomas de autismo

Existe um teste genético para o autismo?
Os investigadores ainda não compreendem bem o que acontece no cérebro de pessoas com autismo e leva ao aparecimento dos sintomas. Porém, sabem que muitos genes diferentes têm alterações que surgem em pessoas com autismo, mas também aparecem em pessoas com deficiência intelectual, ou epilepsia, ou ainda com outras patologias neurológicas e psiquiátricas.

Embora não exista um teste genético específico para o autismo, é possível fazer um rastreio completo de todos os genes (que no seu conjunto constituem o genoma) para encontrar alterações que podem levar ao aparecimento de sintomas. Algumas alterações foram encontradas muitas vezes em pessoas com autismo, e nunca ou muito raramente em crianças sem problemas de desenvolvimento, pelo que se consideram causadoras da doença.

Este rastreio pode ser feito numa amostra de sangue por uma técnica que se chama aCGH (hibridação genómica comparativa por tecnologia de array). Pode também ser feito por sequenciação do genoma, uma técnica de ainda maior resolução, em que todo o código genético é lido.

Estes testes podem-nos explicar qual a razão do autismo numa pessoa em particular. O rastreio do genoma encontra alterações genéticas em cerca de 20% dos casos. A maior vantagem é que, quando alguma alteração genética é identificada, é possível fazer um aconselhamento genético e estimar qual o risco de ter outro filho com autismo.

Os investigadores pretendem encontrar um teste cada vez mais específico para o autismo, por duas razões principais: 1) porque permite fazer um diagnóstico mais cedo, numa idade em que o diagnóstico clínico pode ser mais difícil ou mais instável; 2) porque permite fazer um diagnóstico diferenciado, isto é, saber se a criança tem autismo ou outro problema diferente. Responder a estas questões permitirá iniciar uma terapia mais cedo, melhor dirigida para o autismo e, por isso, melhorar os resultados.

É possível ter mais que um filho com autismo?
O risco de ter outro filho com autismo dependerá sempre de vários fatores, nomeadamente da história familiar, de ter sido ou não encontrada uma alteração genética na pessoa com autismo e, caso tenha sido encontrada uma alteração genética, se um dos pais também a tem.

Todas as instruções genéticas, incluindo aquelas que regulam o funcionamento do cérebro, são passadas de pais para filhos através dos genes, como uma mistura do pai e da mãe. É por isso que, além de serem semelhantes fisicamente, pais e filhos têm muitas vezes personalidades parecidas. É por isso também que, por vezes, tanto os pais como os filhos sofrem da mesma doença.

Quando um dos pais ou, mais raramente, ambos os pais têm uma mesma alteração genética que é transmitida ao filho, a probabilidade de terem um segundo filho com autismo é maior. Frequentemente os pais têm uma alteração genética que transmitem ao filho com autismo, e no entanto não têm autismo. Isto não é inesperado porque os sintomas de autismo, que variam bastante de pessoa para pessoa, são frequentemente devidos a uma combinação de alterações genéticas. O pai ou a mãe poderão não ter esta combinação, e por isso não ter sintomas. Nesse caso a probabilidade de ter mais do que um filho com autismo é mais baixa. Por vezes, o teste de rastreio só deteta uma das alterações e não conseguimos perceber se outras poderão estar presentes. Por essa razão, estimar o risco de ter outro filho com autismo pode não ser fácil.

Para saber o risco de ter outro filho com autismo deve sempre falar com um especialista em Genética Clinica.

O que querem os investigadores quando me perguntam se queremos participar num estudo?
Existem, por todo o mundo, muitos investigadores que se dedicam a procurar as causas do autismo, a tentar encontrar marcadores biológicos, novas formas de diagnóstico ou melhores formas de tratamento. Assim, se tem um filho com autismo, é possível que durante consultas médicas, na escola, em associações ou noutras situações, lhe perguntem se querem participar numa investigação. Antes de participar assegure-se que:

  • Compreende bem que tipo de investigação se trata e quais são os objetivos;
    Se sente confortável com as pessoas que lhe pedem para participar;
    O seu filho está de acordo;
  • Sabe que tipo de resposta lhe vão dar neste estudo – As conclusões gerais? Ou resultados sobre si ou sobre o seu filho?
  • Percebe que a sua participação e a do seu filho são opcionais e que poderá desistir em qualquer momento, se quiser;
  • Percebe que o profissional que o convida a participar não lhe vai dar um tratamento preferencial;
  • Percebe bem o que lhe estão a pedir e ao seu filho: Para responder a um questionário? Para dar uma amostra de sangue? Para tomar um medicamento em teste? Para fazer um procedimento complicado?
  • Percebe quanto tempo e as dificuldades que resultam da participação: Demora duas horas? Um dia inteiro? Vários dias? Meses ou anos de seguimento? Onde tem que se deslocar e onde é feito o estudo?
  • Sabe se irão ou não pagar despesas que possa ter por participar? Lembre-se sempre que a sua participação é preciosa para o avanço dos conhecimentos sobre o autismo e da medicina, mas pode não trazer nenhuma solução para o problema do seu filho.

Os progressos na investigação biomédica são forçosamente morosos e o mais provável é que o estudo em que participa agora só venha a trazer avanços após alguns anos.

Apresentação do Projeto “STOP Infeção Hospitalar!” a 31 de Março na Fundação Caloute Gulbenkian

Portugal tem uma taxa em matéria de infeções hospitalares que tem merecido a atenção dos especialistas e profissionais de saúde. Face aos números existentes, o relatório apresentado em 2014 pela Fundação Gulbenkian” Um Futuro para a Saúde – todos temos um papel a desempenhar” anunciava o combate a esta realidade e um desafio: demonstrar que, em três anos, um grupo de instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) será capaz de reduzir esta taxa para metade e também que o seu trabalho seja o motor para que o projeto se alargue a outras instituições.

Assim, amanhã, dia 31 de Março às 18 horas, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Ministério da Saúde vão oficializar o arranque das várias iniciativas de resposta ao desafio. Na ocasião, procede-se à assinatura de uma carta de compromisso com doze hospitais públicos apurados por concurso para o projeto “STOP Infeção Hospitalar!”, um programa com duração de três anos que visa reduzir em 50% a prevalência de infeção hospitalar.

O projeto “STOP Infeção Hospitalar!” é promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, em parceria com o Ministério da Saúde e com o Institute for Healthcare Improvement (EUA). O Ministro da Saúde, Paulo Moita de Macedo, vai estar presente na assinatura da referida carta de compromisso.

Saiba mais aqui.

Veja a nossa publicação sobre este assunto:

STOP Infeção Hospitalar! Programa da Fundação Calouste Gulbenkian

STOP Infeção Hospitalar!
Hospitais e centros hospitalares do Serviço Nacional de Saúde

O Concurso “STOP Infeção Hospitalar!” foi anunciado em 31 de Janeiro e esteve aberto até 20 de Fevereiro de 2015. Das 31 instituições que submeterem candidatura, foram selecionadas as seguintes:

– Centro Hospitalar Alto Ave, EPE

– Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, EPE

– Centro Hospitalar Cova da Beira, EPE

– Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE

– Centro Hospitalar Lisboa Norte, EPE

– Centro Hospitalar São João, EPE

– Hospital de Braga

– Hospital Dr. Nélio Mendonça – SESARAM, EPE

– IPO Porto-FG, EPE

– Unidade Local de Saúde de Matosinhos, EPE

– Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, EPE

– Unidade Local de Saúde do Nordeste, EPE

 

Nota: Esta lista inclui mais dois hospitais do que os dez inicialmente previstos. Três instituições apresentaram-se em igualdade de pontuação no processo de seriação efetuado pelo que, com a concordância do Ministro da Saúde, foi aceite a recomendação do Júri para a admissão destas 12 instituições.

REGULAMENTO

INSA Assinala Dia Mundial da Saúde com Conferência Dedicada à Segurança Alimentar, a 8 de Abril

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Instituto Ricardo Jorge) associa-se às comemorações do Dia Mundial da Saúde, este ano dedicado ao tema da “Segurança Alimentar”. Assim, no próximo dia 08 de abril terá lugar uma conferência no Instituto, na sua Sede em Lisboa, conforme programa que pode consultar aqui.

O evento será presidido pelo Presidente do Instituto Ricardo Jorge, Fernando de Almeida, e é esperada a presença dos Secretários de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, da Alimentação e da Investigação Agroalimentar e Adjunto e da Economia. Estarão presentes vários dirigentes e convidados de diversas entidades governamentais e investigadores nacionais e internacionais, nomeadamente João Breda, especialista da Organização Mundial da Saúde – Gabinete Regional da Europa (OMS – Europa), e José Ángel Gómez Ruiz, da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA).

No decorrer do evento terá lugar, ainda, a assinatura do Protocolo Nacional de Cooperação entre os organismos participantes no projeto “Pilot project on the implementation of SSD2 in the frame of the electronic transmission of harmonised data collection of analytical results to EFSA”, que visa criar um sistema nacional de gestão de dados do controlo oficial de alimentos que será uma ferramenta adequada e eficaz na harmonização da comunicação de dados entre Portugal e a EFSA. Este projeto é coordenado pelo Instituto Ricardo Jorge e pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, tendo como entidades signatárias a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) procura neste Dia Mundial da Saúde 2015 reconhecer o papel importante de todos os envolvidos na produção de alimentos em matéria de segurança alimentar e reforçar a necessidade da colaboração e coordenação entre estas diferentes áreas, para prevenir, detetar e responder a doenças transmitidas por alimentos. Mais informações sobre o Dia Mundial da Saúde 2015 aqui. (http://www.who.int/campaigns/world-health-day/2015/en/)

O Dia Mundial da Saúde é celebrado a 7 de abril. A data foi escolhida pela OMS em 1948, aquando da organização da primeira assembleia desta Organização, e em cada ano, a organização escolhe um tema central para ser debatido no Dia Mundial da Saúde e que representa uma prioridade na agenda internacional da OMS.

O Dia Mundial da Saúde é uma oportunidade única de alertar a sociedade civil para temas-chave na área da saúde que afetam a humanidade e para desenvolver atividades com vista à promoção do bem estar das populações, assim como de promover hábitos de vida saudáveis. Os programas apresentados no Dia Mundial da Saúde prolongam-se ao longo do ano, tendo o Instituto Ricardo Jorge escolhido o dia 8 de abril para assinalar esta data.

Associado a estas comemorações será ainda publicado um número especial do Boletim Epidemiológico “Observações” dedicado à Alimentação e Nutrição. “Observações” é uma publicação científica trimestral, editada pelo Instituto Ricardo Jorge, que visa contribuir para o conhecimento da saúde da população, os fatores que a influenciam, a decisão e a intervenção em Saúde Pública, assim como a avaliação do seu impacte na população portuguesa, tendo como principal alvo todos os profissionais, investigadores e decisores intervenientes na área da Saúde Pública em Portugal.

Veja aqui o Programa.

33 Milhões de Euros: Programa Integrado de Promoção da Excelência em Investigação Médica

O Governo aprovou a criação de um Programa Integrado de Promoção da Excelência em Investigação Médica, que envolve os Ministérios da Saúde e da Educação e Ciência. O Programa, aprovado na reunião de conselho de Ministros do passado dia 19 de março, tem como objetivo fomentar o desenvolvimento de uma nova geração de investigadores médicos clínicos com potencial para transformar o panorama científico nacional numa área estratégica para o país.

Pretende-se assim aumentar o número de médicos clínicos com formação e cultura científica adequadas e traduzir esse aumento num crescimento da produção científica no âmbito da investigação clínica, (ver aqui: Impacto da Produção Científica em Portugal, DGEEC, 2014, em comparação internacional). Este Programa vigora por um período de cinco anos, podendo ser renovado após avaliação.

A implementação e o acompanhamento desta iniciativa são garantidos por uma comissão constituída pelo presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, na qualidade de representante do Ministério da Educação e Ciência, pelo presidente do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e pelo presidente do INFARMED, na qualidade de representantes do Ministério da Saúde, podendo integrar outros membros que representem entidades financiadoras. Por sua vez, um Conselho Consultivo Internacional, constituído por personalidades de reconhecido mérito designadas pelos membros do Governo responsáveis pelas áreas da saúde e da ciência, terá a seu cargo a monitorização científica e o controlo de qualidade do Programa.

O Programa será financiado com fundos públicos, através do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação e Ciência, estando aberto a financiamento privado, através de entidades que a ele se queiram associar. O financiamento público envolvido é suportado pelo Ministério da Saúde por verbas inscritas no orçamento do INFARMED e pelo Ministério da Educação e Ciência por verbas inscritas na Fundação para a Ciência e Tecnologia, num total de 33 milhões de euros, cerca de 3 milhões de euros por ano, até à conclusão das atividades em 2023.

Do texto da Resolução destaca-se que o Ministério da Saúde criará as condições legislativas e regulamentares necessárias à alocação de tempo adequado à realização de atividades de investigação por parte de médicos que sejam integrados no Programa, bem como medidas de incentivo para as unidades de saúde que estimulem a maior e melhor produtividade científica. Trata-se de um Programa coerente, integrado e aberto, destinado a investigadores médicos clínicos, compreendendo as diversas fases do percurso profissional, desde a formação-base até à consolidação da carreira científica como investigador independente, alicerçando-se em quatro componentes críticos:

  • Pessoas -Com foco essencial na qualificação dos recursos humanos.
  • Ideias -Centrada na necessidade de dar relevo aos projetos de investigação clínica que tradicionalmente têm sido avaliados em conjunto com os projetos de investigação fundamental.
  • Recursos – Para capacitar a comunidade de investigadores médicos com os recursos necessários para a concretização dos seus projetos em investigação clínica.
  • Valor -Para a promoção de investigação com alta taxa de probabilidade de, a curto prazo, se obterem produtos ou processos de elevado impacto socioeconómico.

O programa resulta do compromisso do Governo de promover condições para a investigação clínica em Portugal, alicerçando-se na experiência já adquirida em programas de formação para clínicos, quer nacionais quer internacionais. Com este Programa Integrado, pretende-se consolidar os programas de treino e formação científica para médicos desenvolvidos até à data, alargar o leque de oportunidades de formação, introduzir novas iniciativas, garantir a indispensável internacionalização do programa, tendo em vista o desenvolvimento de investigação clínica de alta qualidade.

Diversas iniciativas antecederam esta decisão do Conselho de Ministros: a Lei 21/2014 da investigação clínica, que cria um novo quadro de referência para a investigação clínica com seres humanos, uma Rede Nacional das Comissões de Ética para a Saúde e um Registo Nacional de Estudos Clínicos; o Decreto-Lei 110/2014, de 10 de julho, que cria, no âmbito do Ministério da Saúde, o Fundo para a Investigação em Saúde.

Veja o n.º 11 do Boletim Epidemiológico “Observações” – INSA

Damos-lhe hoje a conhecer que foi editado um novo número do Boletim Epidemiológico “Observações”. Trata-se de uma publicação científica trimestral, editada pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Instituto Ricardo Jorge), que visa contribuir para o conhecimento da saúde da população, os fatores que a influenciam, a decisão e a intervenção em Saúde Pública, assim como a avaliação do seu impacte na população portuguesa, tendo como principal alvo todos os profissionais, investigadores e decisores intervenientes na área da Saúde Pública em Portugal.

Através do acesso público e gratuito a resultados científicos gerados por atividades de observação em saúde, monitorização e vigilância epidemiológica, é dada especial atenção à disseminação rápida de informação relevante para a resposta a temas de relevo para a saúde da população portuguesa. Este Boletim enquadra-se na missão oficial do Instituto Ricardo Jorge enquanto observatório nacional de saúde, a par das atividades como laboratório estratégico nacional, laboratório de Estado no sector da saúde e laboratório nacional de referência. Transversal aos Departamentos técnico-científicos do Instituto, o Boletim reúne textos sucintos nos seu diversos domínios de ação: Alimentação e Nutrição, Doenças Infeciosas, Genética Humana, Saúde Ambiental, Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis, Epidemiologia, Investigação em Serviços e Políticas de Saúde.

Veja aqui o Boletim.

Veja também as nossas outras publicações:

Número Especial Dedicado à Saúde Ambiental – Boletim Epidemiológico Observações – INSA

Boletim Epidemiológico Observações Nº 10 – INSA

Boletim Epidemiológico Observações – Nº 9 Julho-Setembro 2014 – INSA

VOL 4 – NÚMERO 11, JANEIRO- MARÇO 2015 

[PDF-boletim integral]                

                                                                                                                                                                                       Números anteriores 

SUMÁRIO

_EDITORIALQual a base da informação sobre a saúde dos Portugueses?
Carlos Matias Dias
Médico, Especialista em Saúde Pública e Coordenador do Departamento de Epidemiologia do INSA
    [PDF]
 _ARTIGOS BREVES
Doenças Não Transmissíveis
1_ Prevalência de síndrome de apneia obstrutiva do sono: um estudo da Rede Médicos-Sentinela
Ana Paula Rodrigues, Paula Pinto, Baltazar Nunes, Cristina Bárbara
    [PDF]
2_ Modelo de crenças em saúde na decisão da toma da vacina antigripal
Ana João Santos, Irina Kislaya, Baltazar Nunes
    [PDF]
3_ European joint action sobre prevenção de doenças crónicas e promoção do envelhecimento saudável
(JA-CHRODIS)

Natércia Miranda, Cláudia Niza, Luciana Costa, Astrid Moura Vicente
    [PDF]
Doenças Infeciosas
4_ Citomegalovírus: análise retrospetiva de casos suspeitos de infeção do sistema nervoso central, diagnosticados entre 2010 e 2014
Sílvia Lopo, Tânia Reis, Paula Palminha, Elsa Vinagre, Cristina Furtado
    [PDF]
5_ Clostridium difficile: diversidade genética e perfis de suscetibilidade aos antimicrobianos
Andrea Santos, Joana Isidro, Cláudia Júlio, Mónica Oleastro
    [PDF]
Saúde Ambiental
6_ Abordagem multidisciplinar na identificação e monitorização de cianobactérias potencialmente tóxicas
Catarina Churro, Elisabete Valério
    [PDF]
7_ Avaliação do efeito da microcistina-LR no crescimento, sistema antioxidante e indução de apoptose emSaccharomyces cerevisiae
Elisabete Valério, Arminda Vilares, Alexandre Campos, Paulo Pereira, Vitor Vasconcelos 
    [PDF]
Doenças Genéticas
8_ Prevalência ao nascimento dos défices da β-oxidação mitocondrial dos ácidos gordos  na
Península Ibérica
Hugo Rocha, Daisy Castiñeiras, Carmen Delgado, José Egea, Raquel Yahyaoui, Yolanda González, Manuel Conde, Inmaculada González, Inmaculada Rueda, Luis Rello, Laura Vilarinho, José Cocho
    [PDF]
Alimentação e Nutrição
9_ Ciclamato em adoçantes de mesa: risco de ultrapassar a dose diária admissível
Bruno Ruela Sargaço, Maria Celeste C. Serra, Elsa Reis Vasco
    [PDF]
 _NOTÍCIA
Projeto europeu ASDEU – Autism Spectrum Disorders in Europe     [PDF]

Ficha técnica

DIRETOR: Fernando de Almeida, Presidente do INSA
EDITORES: Carlos Matias Dias, Departamento de Epidemiologia | Elvira Silvestre, Biblioteca da Saúde
CONSELHO EDITORIAL CIENTÍFICO: Carlos Matias Dias, Departamento de Epidemiologia | Cláudia Niza, Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis | Manuela Caniça, Conselho Científico do INSA | Manuela Cano, Departamento de Saúde Ambiental |
Jorge Machado, Departamento de Doenças Infeciosas |  Peter Jordan, Departamento de Genética Humana | Sílvia Viegas, Departamento de

Alimentação e Nutrição
REVISÃO CIENTÍFICA: Carlos Matias Dias, Epidemiologia | Cristina Furtado, Doenças Infeciosas | Manuela Cano, Saúde Ambiental | Maria Antónia Calhau, Alimentação e Nutrição | Peter Jordan, Genética Humana,

DGS e INSA: Estudo sobre o Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono

A Direção-Geral da Saúde divulga o estudo “Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono: epidemiologia, diagnóstico e tratamento. Um estudo da Rede Médicos-Sentinela”. Trata-se de um estudo transversal, no qual os Médicos-Sentinela participantes notificaram voluntariamente todos os casos com diagnóstico de Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono das suas listas de utentes diagnosticados até 31 de Dezembro de 2013.

Para saber mais informações consulte o estudo “Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono: epidemiologia, diagnóstico e tratamento. Um estudo da Rede Médicos-Sentinela”.

Veja aqui o documento.

Informação do INSA:

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e a Direção-Geral da Saúde publicaram o relatório “Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono: epidemiologia, diagnóstico e tratamento. Um estudo da Rede Médicos-Sentinela”. Este relatório descreve o estudo realizado em 2014 na Rede Médicos Sentinela que pretendeu caracterizar o perfil destes doentes quanto ao diagnóstico, tratamento e co-morbilidades.

A Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) caracteriza-se por episódios recorrentes de apneias e hipopneias, secundários ao colapso da via aérea superior no sono. Nos últimos anos, a SAOS tornou-se uma das principais questões da saúde no mundo ocidental. Além dos problemas relativos ao funcionamento da vida cotidiana, tais como hipersonolência, redução da função cognitiva, risco de acidentes de automóvel e redução da qualidade de vida, a SAOS está fortemente relacionada a doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e metabólicas.

A prevalência estimada de SAOS na população com 25 ou mais anos foi de 0,89 %, tendo sido superior no sexo masculino 1,47 % e no grupo etário entre os 65 e os 74 anos (2,35%). Estes valores são inferiores aos de outros países, o que pode indicar um subdiagnóstico desta condição clínica como referido por outros autores, aponta o relatório. Estes resultados poderão ser úteis no planeamento da prestação de cuidados, com vista ao diagnóstico e tratamento precoce.

Consulte aqui o relatório.

Alimentação Saudável: Melhoria do Estado de Saúde e Bem-Estar

Um consumo alimentar adequado e a consequente melhoria do estado nutricional dos cidadãos tem um impacto direto na prevenção e controlo das doenças mais prevalentes a nível nacional (doenças cardiovasculares, oncológicas, diabetes e obesidade) mas também deve permitir, simultaneamente, o crescimento e a competitividade económica do país em outros setores como os ligados à agricultura, ambiente, turismo, emprego ou qualificação profissional. Por esses motivos, existe em Portugal o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) tem como finalidade melhorar o estado nutricional da população, incentivando a disponibilidade física e económica de alimentos constituintes de um padrão alimentar saudável e criar as condições para que a população os valorize, aprecie e consuma, integrando-os nas suas rotinas diárias.

A coordenação deste Plano disponibiliza uma página na internet, que hoje lhe damos a conhecer e que pode consultar aqui. Esta página é um espaço informativo na área da nutrição e alimentação saudável, onde os cidadãos e os profissionais de saúde encontram, entre outros, dados de qualidade sobre a situação alimentar nacional, sobre alimentos e nutrientes, recomendações e ainda receitas saudáveis e ferramentas para utilizar no dia-a-dia.

Poderá ainda saber mais sobre “Boas práticas” que os profissionais do Serviço Nacional de Saúde estão a desenvolver  nas diferentes Administrações Regionais de Saúde do país em prol da promoção da alimentação saudável bem como diferentes iniciativas da sociedade civil. Este sítio é atualizado com a mais recente informação científica disponível,  contando com a colaboração dos melhores peritos a nível nacional.

www.alimentacaosaudavel.dgs.pt